Quando olho pra mim, pras coisas que eu faço, pras decisões que eu tomo, pras coisas que saiem da minha boca quando eu falo - dá um aperto por dentro.
Eu sempre sei das coisas com antecedência. E nunca consigo me programar o suficiente. Não chego na hora, não cumpro prazos, não concretizo planos. E eu sempre quebro pactos, promessas, previsões. E me compromisso com mil coisas ao mesmo tempo, até as que eu sei que não, no final, não vão rolar. Pô, não sei dizer não! E eu esbarro nas minhas impulsividades, tão à flor da pele esse ano e o que contradiz totalmente a minha natureza.
Às vezes eu ouço músicas com violinos ao fundo pra me sentir mais parte do mundo dos incompreendidos, dos solitários. Vivo cercada das pessoas mais variadas, nunca me contentei em fazer parte de uma tribo, compactuar com ritos fechados e uniformes. Sou heterogênea. E as músicas mais tristes me fazem sorrir de canto. Porque existe algo tão belo na infelicidade. Não, não. Não faço apologia da carranca, do mau-humor, do "mal do século" re-passado. Pelo contrário, odeio gente pessimista, com aquele ar blasè irritante. Tenho uma colega na Facul que é assim.
- E aê, bom dia, tudo bom?
- Bom dia? Ai, só se for pra você, querida...
Ok.
Adoro "fases-verdade", como as da Clarice. Eu gostaria de ser assim, autora das frases perfeitas, tipo daquelas que a gente acaba de ler e já vai procurar um papelzinho pra anotar, copia na agenda. E depois fica com aquilo na cabeça, dias a fio. Quebram por dentro.
Gosto de pensar que nasci na época errada. Na era do imediato, onde surge uma banda-sensacional-salvação-do-rock por semana, eu sofro por nunca ter visto Elis no palco. E por não ter tido grana pra ir ao show do Chico. E por começar a entender a Cássia tarde demais. Isso de canções-encomenda, cantores-produto, shows-propaganda... ah, não dá, né?
E às vezes eu só queria ser mais simples. Viver no mato, viajar. Colocar o pé na grama, ver o sol se por. Ter uma rede na cozinha, fazer fogueira. Nada de guitarras, apenas um violão havaiano ao fundo. Nem precisa ser a cores, porque há algo tão puro e intrigante no preto e branco.
Já falei que descobri que sou taurina?
Saco.
...............................................................................................................
(Laura - Sábado, Setembro 23, 2006 , 3:50am)
*ainda faz TODO o sentido*
2 comentários:
O triste é uma das coisas mais belas, Lau.
Tua vida simples já existe. O ideal de vida simples talvez, um dia, seja realidade, mas tua vida simples já existe. Aí dentro. Acredite. É notável.
Sou um-terço taurina. um-terço matemático, não religioso. Acho mais fácil ser um-terço taurina que rezar um terço.
Quando pequena, rezava o terço (que minha mãe me obrigava bondosamente)duas vezes: uma pra reza e outra pra reza terminar logo. Sempre tive medo do tempo, esse tão misterioso. E temia passar esse tempo, esse precioso, rezando. Nunca achei muito útil. Acho mais útil fazer o bem, plantar em mim uma semente de algo que frutifique, que embeleze. Enfim...
... acontece que é justamente meu um-terço taurina que me salva. Contente-se.
Pior mesmo seria ser de gêmeos, aquário, libra ou peixes.
srsrsrsrs
P.S.: ressuscitei alguns textos "antigos" no meu blog dia desses também. Faz tão bem...
bjos.
Postar um comentário