Sim, adoro escrever listas. Tenho um bloquinho esquizofrênico, cheinho de anotações: frases aleatórias, endereços, mapas rabiscados, idéias, compromissos, músicas pra baixar, aulas da semana... Quando eu tinha o outro blog, eu postei uma listinha "Eu odeio", vou ver se ainda acho e coloco aqui, pra vocês verem como eu era uma menina revoltada, hahaha!
Essa aqui é das músicas que fazem parte do cancioneiro particular (de quando eu era pequena ou adolescente), e não necessariamente do meu gosto particular.
Porque, fala sério, justo naqueles momentos mais marcantes - batata! - está tocando aquela música super nada a ver ao fundo! Todo mundo passa por isso, não tem jeito!
1. Gatinha Manhosa, Erasmo Carlos
Minha mãe diz que eu, quando pequena, era a mais manhosa dos três irmãos (imagina, gente, eu sempre fui tão na minha!). Então, ela cantava essa música pra mim, baixinho, falando em como era legal ser a irmã do meio, porque o mais gostoso do pão é o recheio, falaê?
(Ok, ok, não basta ser mãe, tem que inventar alegorias desse naipe para não deixar uma criança ficar encanada pro resto da vida, hahaha!)
2. Ursinho Pimpão
Ah, essa é clássica! A gente dançou, acho que no Jardim-alguma-coisa, num daqueles eventos chatérrimos que só servem pra deixar as professoras loucas e os pais-corujas babando de orgulho. Orgulho não sei do quê, porque as crianças, tontas com tantos flashes na cara, tradicionalmente perdem o fio da meada, tropeçam no coleguinha do lado e o que acaba acontecendo é aquela sucessão de passos mal sincronizados, pequenos travando na hora de dançar ou esquecendo parte da coreografia. E, pra fechar com chave de ouro, baixa o santo naquele capeta-mirim-aprendiz-de-delinqüente, que sai puxando o cabelo das meninas, ateando fogo no cenário, molhando o chão da entrada do palco só para todos os desavisados escorregarem.
(Mas eu lembro que a gente entrou no palco de pijama e com ursinhos na mão. O meu era aquele leãozinho dos ursinhos carinhosos, laranjinha, lembram dele?)
3. Cai, Cai Balão
Essa foi a primeira música que eu tirei no tecladinho cásio vermelho que ganhei de Natal quando tinha uns 8 anos, e com certeza devia ser pra lá de irritante me ouvir tocando isso todo santo dia (!). Sério, eu tocava da hora que acordava até a hora de dormir, era um horror!
(Tanto que meus pais, no auge do desespero, me colocaram num conservatório, pra ver se eu trocava o disco, né?)
4. Meu Guri, Chico Buarque
Essa música sempre emocionou muito a minha mãe, que suspirava e mandava todo mundo prestar atenção toda vez que meu pai colocava o disco pra tocar (geralmente nos almoços de domingo, na casa antiga). Eu não entendia muito bem o porquê daquilo tudo, mas foi a primeira vez que eu percebi como a música tem o poder de tocar as pessoas.
(E tinha que ser o Chico)
5. Pra não Dizer que não Falei das Flores, Geraldo Vandré
Primeira música que aprendi no violão. Eu pensava que nunca ia aprender a tocar, achava complexo demais: uma mão fazendo um movimento e a outra fazendo outro completamente diferente! Nossa, era absurdo pra mim! E eu tinha esse professor de Educação Artísica, se eu não me engano lá pela sexta série: professor Sérgio. Ele, que sempre trazia o violão para "ilustrar" as aulas, percebeu o quanto eu ficava hipnotizada quando ele tocava e perguntou porque eu não tentava. E eu fui logo dizendo que achava impossível. Daí um dia ele pegou o violão dele, deu na minha mão na hora do intervalo, me ensinou esses dois acordes da música em questão, falando que voltava mais tarde pra ver se eu tinha conseguido.
(Era um grande cara esse professor)
6. Pra ser Sincero, Engenheiros do Hawaí
Ok, ok, eu sei, todo mundo tem sua fase negra! Essa música marcou a fase dos amores-platônicos-adolescentes. E olha que eu nunca gostei tanto assim de Engenheiros. Mas a letra era tudo o que eu queria dizer, e não conseguia, e eu pirava: "Pra ser sincero/ Não espero de você/ Mas do que educação/ Beijos sem paixão/ Crimes sem castigo/ Aperto de mãos/ Apenas bons amigos".
7. Acústico Cássia Eller Descobri que crescer dói ouvindo esse som. Não tem nem como citar uma música específica, todas elas foram especiais pra mim. Foi o primeiro CD que eu comprei. Marcou aquela fase pré-Federal: dúvidas, anseios, conversas jogadas fora no ponto de ônibus, jornal clandestino feito e distribuído por nós no cursinho, idealizações políticas e ânsia de mudar o mundo. Aquela coisa ingênua de achar que o Brasil tem jeito. Ok, eu ainda acho que tem jeito, mas de uma maneira diferente, mais cética. Naquela época a gente se reunia depois da aula e ficava bolando as matérias do jornal. O primeiro número que saiu foi um choque: todo mundo queria saber quem tinha feito, já que a gente se identificava por pseudônimos. Foi naquela época que as primeiras amizades foram desfeitas, vieram as primeiras decepções. Nessa época eu acreditava que tudo iria durar pra sempre. Pois é, não dura.
(Aquela coisa de achar que tudo vai durar pra sempre. Pois é, não dura)
8. Meu Bem, Meu mal, Gal Costa
Meu pai tinha uma coleção invejável de vinis. Até que, num daqueles surtos de limpeza, ele gravou tudo em fitas cassete e deu os vinis pra uma instituição de caridade. Pode? Gente, eu é que preciso de uma caridade dessas, hahaha! Enfim, então eu ouvia as fitas cassete até não poder mais, e vinha tudojuntomisturado: Rita Lee, Jorge Ben Jor, Caetano, Bethânia, Gal. E eu era vidrada nessa daí: "Você é meu caminho/ Meu vinho, meu vício/ Desde o início estava você/ Meu bálsamo benígno"
(Quando a gente viajava pro Rio, para distrair a molecada insana no banco de trás (no caso, eu e meus irmãos), meu pai gravava essas fitinhas também e ia perguntando, como se fosse um jogo, quem estava cantando, e eu era a jogadora mais entusiasta!)
9. Quase, Pato Fu
Essa marcou a fase da Federal, amizades sem igual que encontrei por lá. Ok, eu sempre tive vocação pra palhaçada, então, desde que a gente começou a organizar os saraus na Federal, que reuniam música e poesia, vira e mexe, eu tocava essa.
(Era sempre a que todo mundo pedia, só pra me ver fazer caras e bocas)
10. Hora do almoço/ Águas de Março, Belchior/ Tom Jobim
Essa tem uma história especial. Pedi um dia pra minha tia Luciana, lá de Campos (RJ), que me ensinasse uma música especial, a que ela mais gostava de tocar. Ela relutou um pouco, disse que não pegava num violão há muito tempo, que nem lembrava mais dos acordes. Ficamos uma tarde conversando e tocando, até que ela se lembrou dessa aqui. Linda, linda, me apaixonei desde quando ouvi pela primeira vez. A música original eu só fui ouvir tempos depois, e não tem mesmo muito a ver com o que eu toco, a letra não é bem essa. Mas, cá entre nós, eu gosto bem mais dessa versão da minha tia!

3 comentários:
Impossivel não ficar nostálgica diante deste repertório..HAHA
e que bom saber que eu não fui a unica a iniciar a vida musical tocando "pra não dizer que não falei das flores"...XD Bons tempos!
Bjos
:)))))))))
adorei!
Adorei sua listinha!!!!
TAmbém foi a primeira música que toquei!!!!
Fiquei pensando em como seria minha listinha de músicas marcantes...qualquer dia te conto!!!
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