p/ Carol
Há muitas coisas que eu gostaria de te falar nesse momento. Mesmo sabendo que as palavras não consertam buracos tão vazios. Muita coisa te diria, do que sei e do que nem sei que sei, lá do fundo, porque a dor da gente é universal. Sem igual. Me desculpe a pretensão sem cabimento, mas muito mais do que acreditar na fulgacidade dessas tortas linhas, acredito que o que vem de dentro não deve ser calado. Jamais.
Dito isto, dito está.
Um professor da faculdade disse, esses dias, numa aula inspirada, que Machado, se estivesse entre nós, diria que não se jura neste mundo, a jura é um ato arrogante diante do destino, um ato digno de quem acha que pode controlar o tempo. Não está em nossas mãos. Nunca esteve. E que os ingênuos não foram feitos para esse mundo.
Certo ou errado, são outros quinhentos. A escolha de como encarar a vida, sim, está ao nosso alcance. Otimismo, pessimismo, ambos são facas de dois gumes, faca nossa de estimação.
Nunca me desapeguei dos meus clichês, sigo nessa estrada ambígua, na qual me perco e me guio. O que posso fazer? Acredito no amor. Acredito mesmo. Mas, como tudo na vida, talvez ele nada mais seja do que um dos tantos ciclos aos quais temos direito. A parte que nos cabe. Nossa felicidade clandestina.
Estamos todos à beira desse abismo colossal, que nos enche de medo do desconhecido. Ponta dos pés. Decisão difícil a nossa, lançar-se parece ser tão improvável, a princípio. Afinal, somos seres racionais, não somos? Quem em sã consciência se atiraria em braços tão escuros rumo ao indecifrável?
Nos atiramos, de olhos fechados ainda, que é pra potencializar todas as sensações. Mergulhamos dentro de nós e dentro do outro, de cabeça, e a queda nos faz livres, tão livres como jamais estaríamos se permanessecemos ali, parados, olhando para baixo. Entende? O processo.
Isso de dor latente e cicatrizes, vem junto com o pacote. Afinal, o que achávamos que iria acontecer ao lançar-nos de altura tão considerável? Toda queda encontra pouso certo.
E, dizendo isso, não minimizo as dores de amor. Muito pelo contrário. Eu mesma já passei por várias sempre com o mesmo desespero, a mesma angústia, as mesmas mãos impotentes tentando tapar os olhos (já abertos outra vez) olhando lá pra cima do abismo e pensando no quão impossível será a escalada de volta. Já me deixei repousar por ali muito tempo, no chão duro, à espera de algo maior que eu. Acredite. Sei o quanto dói.
Diante disso tudo, me despeço com uma frase da Clarice que nos aponta, de leve, um caminho.
"Escrever é uma maldição. Mas uma maldição que salva".
1 comentários:
Ah maldição necessária... e que nos faz tão belos e que nos cura tanto...
Que beleza em tuas balavras escuras... sim, o amor é mais um ciclo, porque não? Acredito que o amor que dura a vida inteira é daqueles amores que vem de outras vidas, e tem exatamente este ciclo pra cumprir...
Acredito também que as passagens são fundamentais na vida das pessoas...
Texto belo... força a quem tem mágoas... as dores passam né!
Beijinho
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